O Arquétipo...

" Ela é mistério, coberta de véus. Conseguimos vê-la apenas indistintamente. Apesar da luz bruxulante, dicernimos sua silhueta feminina bem delineada. A brisa levanta seus véus deixando transparecer suas longas madeixas negras. Braceletes de prata enfeitam seus braços e calcanhares; meias-luas em miniatura pendem de suas orelhas e contas de lápis-lázuli circundam seu pescoço. Seu perfume com aroma de almíscar cria uma aura que estimula e enriquece o desejo físico. À medida que a prostituta sagrada avança pela porta aberta, começa a dançar ao som da música de flautas, pandeiro e címbalos. Seus gestos, sua expressão facial e os movimentos de seu corpo flexível, tudo fala de maneira a dar boas vindas à paixão. Não há falsa modéstia em relação a seu corpo e , quando dança, os contornos de sua forma feminina revelam-se sob sua túnica cor de açafrão quase transparente. Seus movimentos são graciosos, e ela tem plena consciência de sua beleza. Está cheia de amor, e quando dança, sua paixão cresce. Em seu êxtase esquece toda repressão e entrega-se à deusa e ao estranho."
(extraído do livro "A Prostituta Sagrada- A face eterna do feminino", de NAncy Qualls-Corbett, Editora Paulus)

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